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O que escrever em uma Capa de Livro?

Como é a estrutura de texto de uma capa de livro? Como é o título ideal? Qual o papel do subtítulo? O que escrever na biografia do autor?
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Tanto autores independentes, como muitos editores que conheci, têm dificuldade em usar de maneira eficiente os textos na capa de livro.

Autores apresentam dúvidas como “Rubens, o que eu coloco na orelha do livro?”“Onde coloco minha biografia? ou “Preciso colocar um subtítulo?

Já os editores, não compreendem que a capa de livro é essencialmente um elemento de marketing, uma ferramenta comercial. É a embalagem do livro. Ela não é uma área meramente informativa ou editorial, a ser usada apenas para explicar ou descrever o conteúdo do livro.

Estas dicas são baseadas em minha experiência profissional em minha área de atuação (o segmento de livros técnicos, acadêmicos e livros para desenvolvimento profissional e pessoal). Mas muitas dessas informações podem ser utilizadas para livros de ficção também.

Abaixo, vemos a estrutura básica de uma capa de livro e seus elementos, numerados de 1 a 10:

Textos de uma capa de livro

1) Título

O ideal é que seja curto (uma a quatro palavras) e impactante. O título da obra deve chamar a atenção, instigar a curiosidade do leitor, quase provocá-lo. Dependendo do livro, o título pode ser pesado como um “soco no estômago” ou provocar risos pelo tom sarcástico e humorístico. O importante é ser memorável.

A maior tentação aqui é criar apenas um título genérico. Ou seja, um texto que apenas nomeia o assunto, sem qualquer diferencial. Ou criar um longo título explicativo, ou seja, que tenta explicar o livro ao leitor. Não faça isso. Não subestime demais seu leitor, principalmente na área de livros profissionais.

2) Subtítulo

Esse é o elemento principal de apoio ao título. É o subtítulo que vai dar elementos ao leitor para compreender melhor o titulo. O subtítulo dá contexto ao título. É a existência do subtítulo que permite ao título ser menor, menos óbvio, misterioso, provocativo. O subtítulo não precisa ser muito longo. Três a dez palavras são mais que suficientes para um bom subtítulo.

3) Nome do Autor

Muitos autores têm dúvidas quanto ao tamanho que o nome do autor deve aparecer na capa. E a regra é bem simples.

O tamanho (e até a posição) do nome do autor não deve seguir seu ego ou sua vaidade, mas sim o tamanho de sua plataforma.

A plataforma de um autor é o tamanho de seu patrimônio. Representa a quantidade de livros publicados, quantidade de livros já vendidos, número de visitantes mensais em seu website e blog, número de seguidores no Facebook, Instagram, Twitter e/ou Linkedin e número de cadastrados em sua lista de e-mails.

Um autor com uma plataforma de peso deve ter seu nome muito bem destacado, obviamente. Seu nome vende livros e atrai os leitores certos para a publicação.

Sempre recomendo ao autor que defina um nome literário, um nome profissional mais curto. Por exemplo, Íris Bastos Rezende de Freitas Ullanden perde impacto. Não dá para lembrar, não é memorável. Íris Ullanden seria infinitamente melhor.

4) Chamada

É um elemento opcional, mas importante para a venda do livro. Enquanto o subtítulo é de caráter editorial, explicativo e informativo, a chamada pode ser puramente comercial. Ela evoca o benefício principal do livro para o leitor. A chamada é o texto de reforço sobre as qualidades do livro. Ela mostra o porquê o leitor deve realmente comprar esse livro! A chamada pode ser mais longa que o subtítulo, uma a três linhas, mais ou menos entre 10 e 20 palavras.

5) Marca/Logotipo da Editora

As editoras fazem questão de que sua marca apareça em três áreas da capa: capa frontal, lombada e quarta capa. Algumas insistem que apareça até na segunda orelha, acompanhada da URL do site da empresa. Talvez, esse excesso reflita mais uma insegurança das editoras que uma real necessidade. No mercado internacional, muitas editoras sequer colocam suas marcas na capa frontal, apenas no verso do livro.

Outra dúvida, que alguns colegas produtores editoriais levantaram nos cursos que ministro, foi sobre a padronização da posição e tamanho da marca da editora nas capas.

A meu ver, quanto maior a liberdade de aplicação da marca da editora, melhor para o resultado final da capa. Eu, sinceramente, pensei que a postura que a Companhia das Letras adota — de que a marca (posição, cor e tamanho) muda e se adapta ao projeto de capa sem uma padrão definido — fosse contagiar as demais editoras. Mas, isso não aconteceu.

Ainda bem que os autores independentes não precisam se preocupar com a inserção desse elemento.

6) Lombada

Normalmente temos três elementos na lombada: nome do(s) autor(es), título e marca/logotipo da Editora. Grande parte das editoras de não-ficção adotam a ordem autor-título, enquanto outras adotam a ordem título-autor. É questão de preferência e aqui não há certo ou errado. Quanto à orientação de leitura do texto na lombada (de cima para baixo ou de baixo para cima, dediquei um artigo só para esse polêmico assunto).

7) Texto da Quarta Capa

Esta é uma área normalmente mal utilizada. A maioria dos autores de não ficção (e muitos editores nesse segmento) utilizam essa área de texto para explicar e listar todos os assuntos que o livro trata. Focam em descrever o conteúdo editorial da obra que editor e autor criaram.

Na verdade, o texto da quarta capa é a própria apresentação comercial do livro. É o primeiro texto que o interessado no livro lê, depois de ser atraído pela capa frontal. E este texto é decisivo para a compra do livro pelo leitor.

É por isso que o foco deste texto não pode ser o desejo do editor ou autor em explicar isso ou aquilo sobre a obra. O foco dever ser a necessidade do leitor. Ou seja, o que o leitor gostaria de saber sobre a obra e como ela vai beneficiá-lo. Certamente, não é o local para um texto editorial, mas sim para uma copy (copywriting é um texto de redação publicitária focada na conversão de vendas).

Essa copy é dividida em duas partes:

Uma headline (título) de impacto que atraia a atenção do leitor. E, abaixo, um texto focado nos genuínos benefícios que o leitor terá com a leitura desse livro. Em outras palavras, um texto focado na transformação que o livro pode trazer para a vida pessoal ou profissional do leitor.

Acho muito útil, comercialmente, finalizar o texto da quarta capa com um ou dois testemunhos sobre a obra, vindo de profissionais renomados na área ou assunto do livro. É o que os marketeiros chamam de “prova social”, muito importante para a credibilidade do “produto livro”.

8) Texto da primeira orelha

É uma área mais versátil da capa e podemos ter um texto com uma abordagem mais editorial. Aqui sim, poderemos discorrer de forma resumida sobre como o livro é organizado editorialmente. É possível comentar ou enumerar os assuntos tratados no livro, citando até os capítulos principais. Nessa área, vamos explicar como o conteúdo editorial da obra vai entregar o benefício ou o valor prometido pelos textos mais comerciais da capa e quarta capa.
Outras opções para essa área, para quem está sem criatividade para criar texto, são:

  • citação de um trecho importante do livro.
  • trecho do prefácio do livro
  • depoimentos extras de terceiros sobre a importância ou benefícios do livro.

9) Texto da segunda orelha

Normalmente reservamos essa área para uma biografia resumida do autor. Sempre recomendo focar nas informações que mostram a autoridade e experiência do autor no assunto tratado pela obra. Opte por escrever na terceira pessoa e compartilhar apenas experiências pessoais ou acadêmicas que tenham a ver com o assunto do livro. Inclua, certamente, outras publicações e/ou artigos que o autor tenha produzido na área. Gracinhas íntimas como “gosta de pescar aos fins de semana” só mesmo para livros sobre pesca.

A foto do autor é opcional. Minha única recomendação para livros de desenvolvimento pessoal e profissional é que a foto seja bem produzida e em ambiente profissional. Este é o grande momento para o autor se mostrar a seus leitores mas, infelizmente, o nível de qualidade das fotos que recebo de editoras e autores (mesmo renomados) são bem discutíveis. Fotos em baixa resolução, escuras, granuladas, fotos com cara aborrecida, fotos de camisa regata na praia, no quintal da casa, atrás de uma planta. Este tipo de coisa passa ao leitor que o autor não liga muito para seus leitores. É como receber uma visita importante vestido de camiseta suada, bermuda rasgada e chinelo. Pega mal, não é? Pense: seu leitor é essa visita importante!

10) Código de barras do ISBN

O número do ISBN é a identificação do livro. É o padrão utilizado para identificar o produto no formato especifico (impresso, audiolivro, digital ePub, digital PDF) por distribuidores e livrarias offline e online. O ISBN é usado para catalogar as publicações e até vincular os diversos formatos de um título específico. O código de barras, aplicado sempre na quarta capa (verso do livro), permite a leitura do número de ISBN por leitoras digitais, o que dinamiza ainda mais o processo. Desde 2007, este número é composto por 13 dígitos. Exemplo: ISBN 978-85-333-0227-3. Para ser lido eletronicamente, o código de barras deve ter apenas 1 cor para impressão em quadricromia – CMYK (100% preto).

Outros elementos

Existem outros elementos e recursos que podem aparecer na capa para valorizar o conteúdo do “produto livro”. Infelizmente, algumas editoras exageram e usam tudo de uma vez. O leitor fica até confuso, não sabe para onde olhar. Lembre-se da máxima do design gráfico: “quem destaca tudo, não está destacando nada”.

  • Splash (texto destacando alguma característica especial do livro ou conteúdo extra, brindes etc)
  • Selo (texto informando premiações do livro ou do autor)
  • Destaque (texto para chamar atenção para um conteúdo específico do livro)
  • Outras marcas/logotipos (associações, empresas ou instituições que endossam o livro)

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rubens Lima

Designer gráfico com mais de 20 anos de experiência na criação de livros para tradicionais editoras do mercado. Profissional com centenas de capas publicadas e, por três vezes jurado do Prêmio Jabuti. É também professor de Design Editorial e MBA em Book Publishing (Edição de Livros).

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