Uma História em Capas de Livros

— Quem está falando? Rubens Lima? Hmmm… não, não sei… aaaah tá, o capista!
— Pede para o capista aumentar este título na capa do livro, vai?
— Você que é o capista, precisa fazer esses ajustes que meu diretor pediu na capa?

Durante todos esses anos de carreira criando capas de livros, Rubens Lima foi percebendo que, para as editoras, estava virando esta figura sem gênero, sem nome próprio, sem identidade: esta abstração chamada “o capista”. Em 2010, resolveu assumir de forma irônica esta alcunha, criando o blog “O Capista”. O blog fez bastante sucesso no universo editorial pois mostrava de forma irônica e um tanto ácida, o quão pouco editores e produtores editoriais sabiam a respeito da importância do design gráfico e editorial. De lá para cá, passou a ser difícil dissociar a figura de Rubens Lima de O Capista”.

Rubens Lima é formado em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (FAU-USP) onde foi pupilo do professor e designer Francisco Homem de Mello (autor de “O design gráfico brasileiro: anos 60” e “Linha do tempo do design gráfico no Brasil” ambos pela Cosac Naify).

É um designer editorial especializado em capas de livros técnicos, profissionais e acadêmicos nas mais diversas áreas do conhecimento — Administração e Negócios, Direito, Finanças e Economia, Comunicação e Marketing, Computação e TI, Saúde, Esportes, Engenharia entre outras —  além de livros para desenvolvimento pessoal.

São mais de 20 anos de experiência no mercado editorial e centenas e centenas de capas de livros publicadas por importantes editoras desse segmento como Saraiva, Manole, Évora, Blucher, Gente, Grupo GEN, Universidade Mackenzie entre outras.

Sua atuação profissional o levou a ser convidado por três vezes para o juri do Prêmio Jabuti — o mais importante prêmio do mercado editorial brasileiro — nas principais categorias de design editorial: capa de livro, projeto gráfico e ilustração.

Rubens é também professor de Design Editorial no curso de pós-graduação MBA Book Publishing pela Casa Educação, instituição que revolucionou o ensino para o mercado editorial.

 

Início de uma paixão


Foi na FAU-USP que descobri minha verdadeira vocação, nas disciplinas ligadas ao Design e à Comunicação Visual ministradas pelo professor e designer Francisco Homem de Mello (autor de “O design gráfico brasileiro: anos 60” e “Linha do tempo do design gráfico no Brasil” ambos pela Cosac Naify). A partir dali, o arquiteto foi se distanciando das plantas, cortes e fachadas e iniciei minha carreira em design gráfico.

Minha ligação com o mercado editorial começou logo em um de meus primeiros estágios, no estúdio Adesign, da designer gráfica Carin Ades. O principal cliente da empresa era a Publifolha, divisão de publicações e projetos especiais do jornal Folha de S. Paulo. Os três anos que trabalhei ali, passando de Estagiário a Diagramador e depois a Designer Junior, me renderam muita experiência técnica, teórica e prática na abordagem visual de diferentes projetos editoriais da Folha (livros, guias, fascículos, capas de livros e revistas). 

 

Acumulando Experiências


Nos 10 anos que se passaram, fui agraciado com experiências profissionais importantes em praticamente todas as áreas do Design e Comunicação Visual: Ilustração, Identidade Visual Corporativa, Sinalização/Ambientação, Internet/Webdesign, Multimídia e Marketing Promocional — esta última vertente em minhas duas passagens pela agência Fischer, do consagrado publicitário Eduardo Fischer, até hoje uma das maiores agências de comunicação do país. Esta bagagem acumulada nas empresas que trabalhei  serviu como base sólida para estabelecer minha carreira como designer gráfico autônomo.

 

Independência e volta ao mercado editorial


Com uma carreira bem estabelecida na área de Design Gráfico, tive a liberdade de escolher a área em que eu realmente gostaria de atuar como profissional autônomo. E a escolha não foi difícil, optei pelas minhas grandes paixões: a área editorial e o design de capas de livros

No mercado editorial, logo foquei nos segmentos que mais se adequavam ao meu perfil racional e objetivo: livros CTP (publicações científicas, técnicas e profissionais) e livros para desenvolvimento pessoal.

É um mercado difícil para um designer, sem as mesmas liberdades criativas que as capas de livros do mercado de ficção permite. Mas justamente a limitação na criação, imposta pela própria estrutura das Editoras, é que eu sempre considerei um fator motivador, o grande obstáculo a ser superado a cada criação de capa, visando sempre atingir algum diferencial nas prateleiras para os autores.

Nunca esqueci a sensação quando vi, na velha Livraria Siciliano, o primeiro livro publicado com uma capa assinada com meu nome (e não mais com o nome das empresas em que eu trabalhava). Muita emoção!

 

Um profissional realizado


Os anos se passaram e centenas e centenas de capas de livros que criei foram publicadas por tradicionais editoras no meu segmento editorial. Mas, a cada capa publicada, ainda sinto a mesma emoção, a mesma satisfação. É um portfólio que me dá muito orgulho, pois só eu sei o esforço que dediquei a cada projeto, a cada publicação — e só eu sei os obstáculos que tive que superar na arcaica e caótica estrutura das editoras para conseguir publicar capas com qualidade.

Em 2016, esse esforço foi reconhecido quando fui honrado com o primeiro convite para compor o juri do Prêmio Jabuti — o mais importante prêmio do mercado editorial brasileiro. Uma responsabilidade enorme. Eu sequer imaginava que esta seria apenas a primeira das três vezes que seria jurado do prêmio (2016, 2017 e 2018) nas categorias mais importantes para um designer editorial: ilustração, projeto gráfico e capa de livro — uma rara façanha que me dá bastante orgulho até hoje. 

 

Uma nova área de atuação


Há alguns anos, acrescentei ao meu dia a dia profissional outra atividade que me dá muita satisfação: ensinar!

Em 2016, criei o curso online Design do Zero focado em dar uma formação mais profissional a designer inciantes e amadores. No mesmo ano, fui convidado a ministrar aulas de Design Editorial no curso de pós-graduação MBA Book Publishing e no curso EAD de Formação de Editores, os dois pela Casa Educação, instituição que revolucionou o ensino no mercado editorial. Foram também marcantes para mim, os workshops que ministrei na Feira Panamazônica do Livro em Belém do Pará e os diversos cursos em unidades do SESC em São Paulo e na Biblioteca Municipal Alceu de Amoroso Lima.

Novos planos já estão em desenvolvimento, incluindo a criação de uma empresa de produção editorial que possa atender meus autores de maneira mais ampla, não apenas na criação do visual do livro.

Fiquem ligados, pois vocês serão os primeiros saber!