Razões para um Briefing Ruim

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O briefing editorial é o documento que deveria resumir todas as informações técnicas, editoriais e comerciais para um designer gráfico editorial realizar um bom trabalho de criação de capas de livros. Infelizmente, o usual em nossa área é receber briefings muito fracos com pouquíssimas informações relevantes ou não receber briefing algum da Editora.

Obviamente, temos também ótimos editores e produtores editoriais que fazem um eficiente meio de campo entre o designer e os autores, gerentes e diretores. Afinal, o que seria de meu trabalho sem profissionais competentes como Joana, Rose, Silvana, Rosângela, Juliana, Cláudia, Daniele, Ricardo, Rafael, Viviane, Daniel, entre outros editores e produtores editoriais que passaram pela minha vida profissional?

Mas, infelizmente, são raridades.

Resolvi levantar algumas hipóteses do que acontece com certos produtores editoriais para que deixem de realizar o briefing ou o façam de maneira tão superficial e ineficiente:

1) A correria devido a falta de planejamento — conhecida também como “Aqui na Editora fica tudo para a última hora. Meu editor passou este livro para mim hoje e quer ver layouts para a capas do livro na sexta! Não tenho tempo de fazer um bom briefing para o capista elaborar a capa do livro!

2) O acúmulo de tarefas — conhecida também como “Xiiiii…vou perder um tempo danado colhendo informações com o autor e o editor para fazer este briefing. Tenho tantas outras tarefas para fazer, muitas que sequer tem a ver com minha função. Tomara que o designer quebre meu galho e apresente algum layout com estas poucas informações que tenho.

3) A falta de comunicação interna — conhecida também como “O editor responsável pela obra nem conversou comigo sobre o posicionamento comercial  e editorial da publicação. Só temos contato com o pessoal de marketing e vendas depois do livro pronto. Não tenho acesso ao autor para saber suas expectativas em relação à capa. Bom, vou passar para o designer rapidinho o que eu mesmo imagino sobre o livro. Depois do layout pronto, minha editora, o autor e o pessoal do marketing que se entendam.

4) A falta de motivação por causa da organização da empresa — conhecida também como “Nem adianta eu perder tempo elaborando um briefing para o capista. Quem aprova as capas é o dono da Editora e tudo vai depender do gosto pessoal dele. A palavra final é sempre dele.”

5) A falta de conhecimento sobre o processo de criação e a importância comercial e estratégica do design gráfico editorial — conhecida também como “É melhor eu não passar muita informação para o “artista” que vai fazer nossa capa, assim ele fica livre para soltar sua criatividade e criar uma capa bem bonita pra gente.

6) A falta de conhecimento. Ponto. — conhecida também como “Não faço ideia o que é esse negócio de briefing. Sou estudante de Veterinária e sobrinha do diretor da Editora

Como dá para perceber, os grandes inimigos de um bom briefing são:

• a falta de conhecimento sobre a importância estratégica e comercial do design editorial
• a estrutura e hierarquia familiar e/ou pouco profissional das Editoras
• a falta de planejamento ou um workflow eficiente no processo de produção editorial

Muita coisa precisa mudar para tornarmos o processo de criação e design nas editoras mais eficiente e menos desgastante. Editoras custam a perceber que se, para aprovar uma capa é preciso passar por um mês de trabalho e idas e vindas de doze layouts diferentes, há algo bem errado no processo de trabalho. E, principalmente: falta alvo! Falta definir estrategicamente o objetivo comercial e editorial a se atingir com o projeto visual antes de o designer começar a trabalhar — é esta definição que deveria estar justamente no documento que chamamos de briefing! Afinal, como achar algo se ninguém disse o que estamos procurando?

O que me traz esperança são os novos cursos de formação de editores e produtores editoriais. Uma boa turma já está chegando ao mercado editorial, profissionais com mais bagagem técnica e uma melhor formação profissional para, gradualmente, substituir a turma de perfil amador e intuitivo que ainda domina boa parte das editoras. Sim, há esperança!

Em tempo: veja aqui neste artigo uma dica de estrutura para um bom brefing editorial.

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Rubens Lima

Designer gráfico com mais de 20 anos de experiência na criação de capas de livros para tradicionais editoras do mercado. Profissional com centenas de capas publicadas e, por três vezes jurado do Prêmio Jabuti — o mais importante prêmio do mercado editorial brasileiro — nas categorias capa de livro, projeto gráfico e ilustração. É professor de Design Editorial no curso de pós-graduação MBA Book Publishing e no curso EAD de Formação de Editores.
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