Em Busca do… medíocre

por | 13 setembro 2017

“Há pouca demanda por excelência no mundo dos negócios.
Há uma demanda muitíssimo maior por mediocridade.”

Paul Arden
ex-Diretor-executivo da Agência
de propaganda Saatchi & Saatchi

Para entender a frase, é preciso lembrar que, apesar de usarmos erradamente a palavra “medíocre” com o significado de “ruim”, seu verdadeiro significado é “mediano, comum, modesto, de qualidade média”. E o mercado editorial, o negócio dos livros, se encaixa bem na frase de Paul Arden.

Todo designer gráfico editorial já passou pela situação de apresentar “o excelente” à Editora — um projeto ousado, diferente e criativo que iria ter grande eficiência comercial nas prateleiras — e ter seu layout modificado e retalhado pelos editores até pousar suavemente no nível “mediano”.

Outra situação bem recorrente: o designer capista apresentar duas opções mais ousadas para a capa, ambas com diferencial de mercado e apelo visual, e uma terceira opção bem “feijão com arroz sem sal” e ter este terceiro layout (o mais modesto e comum) aprovado quase que imediatamente.

Se pensarmos em relação a design gráfico editorial, esta busca pelo medíocre parece ser o objetivo principal no mercado de livros em que especializei: a área de livros técnicos, acadêmicos e profissionais. Justamente um nicho onde o leitor é privilegiado. Estamos falando de um leitor com nível de escolaridade alto, acadêmicos, que teriam capacidade de compreender e decodificar metáforas visuais mais complexas que o leitor comum. Chega a ser irônico.

Eu fico me perguntando, por que será que isso acontece?

Na minha humilde opinião, creio que editores e produtores editoriais aprovam este tipo de layout “mediano” pela segurança que ele traz. Para não correrem riscos. Para não terem que dar muitas explicações ao autor do livro ou não se sujeitarem a críticas de seu superior hierárquico (um gerente editorial, diretor ou mesmo o dono da editora). Infelizmente, nesse processo de autopreservação, um dos objetivos de um layout de capa de livro é esquecido: o de justamente ser diferente, chamar a atenção, destacar-se de publicações concorrentes..

E, neste mercado editorial, onde se prega muito a busca pelo “EXCELENTE”, parece que o que realmente está se buscando sempre é o “MEDÍOCRE”. E isso é tão recorrente e insistente que, a cada dia que se passa, me convenço mais que os editores não estão totalmente errados. Será que o mundo precisa realmente o tempo todo do “genial”?

Fica a dúvida…

Capista - capas de livros para colecoes

Dois layouts apresentados para série “Química para Engenharia”
Um mais comum, certinho e óbvio. Outro mais ousado.
Qual layout chamaria mais atenção na prateleira?
E qual layout você acha que foi escolhido pela Editora?

Adivinhão!

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Rubens Lima

Designer gráfico com mais de 20 anos de experiência na criação de capas de livros para tradicionais editoras do mercado. Profissional com centenas de capas publicadas e, por três vezes jurado do Prêmio Jabuti — o mais importante prêmio do mercado editorial brasileiro — nas categorias capa de livro, projeto gráfico e ilustração. É professor de Design Editorial no curso de pós-graduação MBA Book Publishing e no curso EAD de Formação de Editores.
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