7 – Os Principais Problemas nas Editoras

Os 7 Segredos do Design de Capas de Livros são sete artigos curtos e bem objetivos que tratam desde temas básicos até os problemas do dia a dia em relação ao processo de design gráfico editorial. O Objetivo é positivo: tentar esclarecer melhor este “árduo” processo e melhorar a relação do designer gráfico editorial com todos os profissionais envolvidos nesta produção: editores, autores, produtores e livreiros. Afinal, temos um ponto em comum que sempre vai nos unir: compartilhamos o amor por este objeto precioso chamado livro.

Quais são os principais obstáculos nas Editoras para a criação de uma capa eficiente?


Certos problemas existentes dentro das Editoras em relação à criação de capas de livros podem tornar todo o processo um verdadeiro suplício, muito mais longo, caro e desgastante do que deveria ser. Os principais obstáculos a um processo eficiente são:

 

A) Não existe estratégia comercial ou editorial para o livro
Muitas editoras simplesmente não definem (ou não sabem definir) uma estratégia comercial ou editorial para cada um de seus livros. Falta encarar cada título como um produto que deve ter posicionamento editorial e comercial.

Se existisse sempre estratégia comercial e posicionamento editorial da obra bem definidos, não seria necessário partir para intuição, feeling ou gosto pessoal na hora de avaliar um projeto de capa de livro — bastaria comparar, de maneira prática, os objetivos do livro no mercado e confrontá-lo com o visual da capa:

— Esta capa servirá para representar bem nossa estratégia?
— A capa dialoga com o público-alvo da maneira que queremos?
— Ela deixa claro o posicionamento que determinamos para essa publicação ou a capa precisa de ajustes?
— Quais ajustes devemos fazer para que ela reflita o posicionamento do livro no mercado e dialogue melhor com o nosso público?

 

B) O público-alvo está DENTRO da Editora
Infelizmente, em muitas editoras esta é a realidade: no processo de criação da capa do livro, a equipe inteira está focada em agradar a hierarquia da própria empresa, ou seja, agradar o gosto pessoal do dono da Editora, de um diretor comercial, do editor ou até agradar o autor do livro.

As editoras nesse processo perdem de vista o óbvio: o público-alvo deve ser sempre o leitor específico daquele livro, o “consumidor” de livros — e todos os esforços deve ser gerar empatia entre ele e a capa, chamar sua atenção.

Isso evita chegarmos às situações absurdas que vivemos em nosso dia-a-dia como capista, tais como:

“Só não faça a capa verde, pois meu diretor não gosta de verde…”
“Meu editor prefere sempre os títulos na parte de cima”
“O autor gostaria que você usasse na capa esta foto que a filha dele escolheu”

C) A Editora subestima o trabalho de Design Gráfico Editorial
O editor normalmente é um profissional cuja formação vem da área de texto. É alguém que domina os aspectos textuais de uma obra. Ao mesmo tempo é um profissional com muita dificuldade em lidar com os aspectos não textuais do livro (design, fotografia, ilustração). Raríssimos tem uma base técnica e teórica em comunicação visual.

É por isso que muitas editoras acreditam que design gráfico editorial é um trabalho artístico e intuitivo e por isso deve ser analisado também de maneira intuitiva, subjetiva, sem critérios técnicos (vulgo “gosto pessoal”).  Por que a maioria dos profissionais de edição não conhecem os critérios técnicos para avaliar uma capa. Isso gera uma distorção na visão do trabalho de design editorial e de seu profissional, o designer. 

O designer editorial é um profissional da área de comunicação — não de artes. Seu papel é traduzir visualmente toda a estratégia comercial e editorial de uma publicação para o público-alvo daquela obra. E um dos produtos desse trabalho, a capa de livro, deve também ser analisada de maneira técnica, editorial, comercial e mercadológica. Sempre.

 

D) O profissional que desenvolve o briefing da capa não é o mesmo profissional que será responsável pela sua aprovação dentro da editora.
Este é o problema que mais ocorre dentro das editoras. O profissional escolhido pela editora para desenvolver o briefing, o documento com todas as expectativas e objetivos comerciais em relação ao design da capa de um livro, normalmente é um assistente editorial, alguém na parte baixa da hierarquia da editora. O grande problema é que este profissional não tem nenhum poder de aprovação da capa. Quem aprova a capa é alguém bem superior na hierarquia, alguém que não leu o briefing idealizado pelo assistente e vai avaliar o layout do zero, contando apenas com sua intuição pessoal — sem fazer ideia dos objetivos que foram passados ao capista. Se ele “gostar”, a capa está aprovada. Se não, o processo começa tudo de novo. Não há nada menos prático, nada menos eficiente.

Se você gosta de design editorial e produção de livros como eu...

...então, certamente eu gostaria de conhecer você! Deixe seu nome e e-mail que eu te aviso se tiver conteúdo novo e útil sobre o tema: um post no meu blog, um vídeo novo, um webinar em vídeo, uma palestra marcada ou até um workshop presencial. Vem para a lista do Capista!

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