OS 7 SEGREDOS DA CRIAÇÃO DE CAPAS DE LIVROS

Nestes 20 anos de carreira, muito pude observar em relação ao processo de criação de capas de livros dentro das Editoras. Aqui estão os problemas mais comuns encontrados em quase todas elas.

7 – Os problemas de criação dentro das Editoras

 

1) PROBLEMA: Não existe estratégia comercial ou editorial para o livro

Muitas Editoras no meu ramo de atuação (livros técnicos, acadêmicos e profissionais) simplesmente não definem uma estratégia comercial ou editorial para seus livros.

Se existisse estratégia comercial e posicionamento editorial da obra bem definidos, não seria necessário partir para intuição, feeling ou gosto pessoal na hora de avaliar um projeto de capa de livro (“gostei deste fundo, não gostei desta faixa, não gosto de capas pretas, sempre achei feia esta letra, minha esposa não gosta desta cor“, entre outros comentários deste tipo) — bastaria comparar, de maneira prática, os objetivos do livro no mercado e confrontá-lo com o visual da capa.

Uma forma de fazer isso é responder perguntas como estas:
— Esta capa servirá para representar bem nossa estratégia?
— A capa dialoga com o público-alvo da maneira que queremos?
— Ela deixa claro o posicionamento que determinamos para essa publicação? Ou a capa precisa de ajustes?
Se for diagnosticado que precisa de ajustes, outra pergunta surge naturalmente:
— Quais ajustes devemos fazer para que ela reflita o posicionamento do livro no mercado?

Como veem, quando o objetivo é fazer o produto ficar em sintonia com um posicionamento comercial pré-determinado, fica muito mais fácil determinar os ajustes necessários nos layouts.

 

 

2) PROBLEMA: O público-alvo está DENTRO da Editora

No segredo anterior mostramos que a capa deve estar sempre focada no público-alvo, ou seja, no leitor/comprador da obra.

Infelizmente, em muitas editoras esta não é a realidade. Muitas delas estão focadas em criar uma capa de livro para agradar a hierarquia da própria empresa: agradar o gosto pessoal do dono da Editora, de um diretor comercial, do editor ou até agradar o autor do livro.

O público-alvo não pode estar dentro da Editora. O público-alvo está no mercado. Sempre.

Isso evita chegarmos a situações absurdas que vivemos em nosso dia-a-dia, como:

“Só não faça a capa verde, pois meu diretor não gosta de verde…”
“Meu editor prefere sempre os títulos na parte de cima”
“O autor gostaria que você usasse na capa esta foto que a filha dele escolheu”

 

 

3) PROBLEMA: A Editora subestima o trabalho de Design Gráfico Editorial

A grande maioria das Editoras de livros técnicos, acadêmicos e profissionais vê de forma distorcida o trabalho de design gráfico editorial e seu profissional, o designer.

Traduzindo esta visão:
Infelizmente algumas Editoras acreditam que design gráfico editorial é um trabalho intuitivo e por isso deve ser analisado também de maneira intuitiva.

Editoras precisam compreender melhor o trabalho de um designer gráfico editorial (um dos objetivos deste blog). Precisam saber que existe todo um processo bem técnico para criação de uma capa e etapas a serem cumpridas (como vimos no segredo número 3)

Quando uma Editora contrata alguém para fazer uma capa, ela não está apenas “comprando” uma capa bonitinha.
Ela está “comprando” também os anos de experiência do designer, seu método de trabalho, seu conhecimento sobre o mercado editorial, seus recursos técnicos em comunicação visual, sua habilidade em traduzir de forma visual toda uma estratégia de vendas do produto chamado “livro”.

E o produto disso tudo (sim, a capa!) deve ser analisado de maneira também técnica, editorial, comercial e mercadológica. Sempre.

 

 

4) PROBLEMA: O profissional que desenvolve o briefing da capa não é o responsável pela sua aprovação dentro da editora.

Este é um problema bastante recorrente e acontece tanto em Editoras pequenas quanto em grandes Editoras.

O processo de criação de capas começa usualmente com o editor responsável pela publicação que solicita a um produtor editorial, assistente editorial ou editor de arte (o nome varia de editora para editora) a criação de uma capa. Este profissional da Editora desenvolve o briefing, o documento com todas as (suas) expectativas e objetivos comerciais em relação ao design da capa de um livro. É este profissional também que escolhe o capista (terceirizado ou não) que vai desenvolver o trabalho.

O problema é que este profissional não tem poder de aprovação da capa. A capa passa de mãos em mãos por várias pessoas que não ajudaram na elaboração do briefing, até chegar em alguém no topo da hierarquia, o “manda-chuva”: um editor-chefe, um diretor comercial ou, em muitos casos, o próprio “dono” da Editora. Alguém distante do processo de produção da capa, alguém que não leu o briefing idealizado pelo outro profissional e vai agora avaliar o layout do zero, contando apenas com sua intuição pessoal. Se ele “gostar”, a capa está aprovada.

Agora, se o “manda-chuva” reprovar a capa, o produtor editorial/editor de arte — mesmo que saiba que a capa apresentada é a materialização perfeita de sua solicitação ao designer — raramente a defende ou contra-argumenta (por receio natural de contrariar seu superior, sofrer represálias ou perder seu emprego). Ele simplesmente refaz o briefing e o manda novamente para o capista com novas orientações, agora sim com o aval do seu superior hierárquico.

O capista agora terá que desenvolver novos layouts do zero, baseados nas novas informações. Todo o tempo gasto pelo capista e pelo produtor editorial/editor de arte na primeira etapa de trabalho é perdido. Foram horas de trabalho (=dinheiro) e dias do cronograma (=prazos) desperdiçados. Isso acontece inúmeras vezes, em diferentes editoras.

Mas como evitar que isso aconteça? Na área Pulse, uma área de artigos da rede social Linkedin, publiquei um texto propondo algumas soluções para o problema: “Ninguém é dono do briefing”

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