OS 7 SEGREDOS DA CRIAÇÃO DE CAPAS DE LIVROS

Na verdade, um designer não é exatamente um artista como muitos pensam. Então quais são as diferenças entre artistas e designers?

5 – Designer ou Artista?

Antes de iniciarmos a análise é preciso deixar claro que estamos comparando os conceitos teóricos de artista (da arte moderna aos dias atuais) e designer. Muitos designers e artistas plásticos/visuais não atuam na prática como rege a teoria (na minha opinião, até deveriam respeitar mais seus perfis diferentes). Vamos, então, tentar amenizar um pouco esta bagunça:

Área de atuação
O artista plástico/visual atua na área de Artes. O designer gráfico pertence à área de Comunicação.

Propósito
A verdadeira arte não tem objetivo ou propósito, nunca está acabada, arte é o processo em si. Na arte não existe certo ou errado, feio ou bonito, arte é uma expressão bem pessoal, única. Daí sua riqueza. A arte plástica não pode ser julgada como bem-sucedida ou não, já que, nem o artista, muitas vezes, nos seus anseios, sabe onde quer chegar.
O design gráfico tem objetivos bem específicos e pré-determinados de comunicação. O cliente estabelece através do briefing esses objetivos a serem atingidos — e o trabalho do designer é julgado seguindo estes parâmetros. Por exemplo: se um designer gráfico especializado em sinalização não conseguiu fazer as pessoas se orientarem direito em um espaço, ele falhou no seu propósito. Já um artista pode causar nas pessoas confusão e desnorteamento através de sua obra, sem problema algum, por mero desejo.

Ferramentas
Aqui está o grande ponto em comum. O artista plástico e o designer gráfico podem se utilizar das mesmas ferramentas (manuais ou digitais) e dos mesmos processos de criação e produção para fazerem seu trabalho. E justamente por compartilharem as mesmas ferramentas, o desenho, a pintura, video, xilogravura etc é que causam no público esta confusão.

Mensagem
O designer sempre atua tendo o desafio de passar uma mensagem visual clara e objetiva, usando todos os recursos visuais disponíveis para isso. Já o artista não deveria ter esta preocupação, pelo contrário, muitas vezes deve explorar e destacar as ambiguidades de sentido e significado para causar certas reações em seu público. Outra diferença: O artista na maioria das vezes expressa em seus trabalhos sua própria opinião, suas reflexões, sentimentos e pensamentos. O designer tem a missão de expressar pensamentos, opiniões e objetivos de outros (um autor, uma empresa, um jornalista, uma instituição) muitas vezes ignorando ou relevando sua opinião pessoal sobre o tema. Isso para o verdadeiro artista seria um crime, não envolver sua intimidade em seu próprio trabalho.

Público
O público do artista plástico é aquele que gosta, admira e, principalmente, se relaciona e se identifica com seu trabalho, com sua proposta artística. O artista nunca deve se adaptar a seu público, é o público que é atraído (ou não) pelo que o artista visual faz. Já o designer tem o público-alvo determinado pela necessidades do cliente — e muda seu estilo, sua abordagem visual e sua linguagem de acordo com o público determinado com quem vai “dialogar”. O artista atua de dentro (seus objetivos) para fora (público). O designer atua de fora (mercado) para dentro (seus objetivos). É um ponto importante para se entender a diferença.

Liberdade
O maior desejo do artista é ter total liberdade para criar, se expressar, se manifestar através da linguagem que escolheu. O designer não. O designer precisa que seu cliente lhe dê limites pré-estabelecidos, que são os objetivos a serem alcançados, as expectativas em relação a comunicação e as informações técnicas nas quais o projeto será desenvolvido — resumindo: para o designer gráfico não existe trabalho sem briefing.

Como viram, é possível estabelecermos diferenças básicas entre uma profissão/atividade e outra. Sem muita confusão.

Confusos somos nós, os indivíduos. Muitos designers por questão de ego, reconhecimento ou de simples valorização financeira não dispensam o status de artista que os eleva um pouco acima da humanidade. Também não dispensam a necessidade de criar seus próprios projetos pessoais (atuando como verdadeiros artistas se sentindo livres, longe das limitações impostas pelos seus clientes).
E do outro lado, muitos artistas plásticos que deveriam estar exercendo sua liberdade criativa acabam, por necessidade financeira, atuando como designers ou ilustradores (ou seja, em vez de desenvolver trabalhos movidos apenas por sua ânsia de criação pessoal, escolhendo seus próprios temas e vendendo seu trabalho para SEU público, acabam pintando e desenhando o que os outros mandam).

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