Rubens Lima, designer gráfico editorial

Design Gráfico para todos!

por | 3 out 2016

Durante todos os 20 anos da minha carreira, fui um defensor do design gráfico e do designer. Sempre lutei para explicar e difundir a importância da profissão e do profissional de design, repetindo à exaustão para clientes, colegas e estudantes as explicações sobre o que o designer faz, como faz e por que faz. Não consigo contar as inúmeras vezes que discorri sobre a definição de que design gráfico não é arte – é comunicação, e que, além de tudo, é vital para controlar o modo como seus clientes veem seu negócio ou seu produto. Tudo em busca da valorização desse profissional, que tem como objetivo materializar em linguagem visual todas as necessidades comerciais e estratégicas do seu cliente.

Eu, assim como muitos colegas, sempre considerei o designer gráfico um profissional especial, iluminado, criativo, dotado de raro talento. Escolhidos pelos deuses para carregar o fogo do conhecimento. Para vocês terem uma ideia: este é meu primeiro artigo em que não uso a palavra “designer” começando com caixa alta. Para mim sempre fomos “Designers”, “d” grande, maiúsculo, como nós.

O designer com formação e experiência se autovaloriza tanto, se coloca em um patamar tão especial, que acaba atendendo a um público relativamente restrito. Em números relativos, poucas empresas e indivíduos conseguem hoje pagar e bancar um designer profissional sério. Sobra um mercado enorme não atendido pelo profissional gabaritado de comunicação visual. O açougue, a lotérica, o blogueiro, o buffet infantil, o autor de livros independente, o empreiteiro, a pequena fábrica de biscoitos, a assessora de imprensa, a revista da comunidade, a pequena editora — muitos ficam sem acesso ao verdadeiro design gráfico profissional. O designer gráfico se afastou das pessoas e profissionais que populam seu dia a dia.

Esse mercado acabou ficando nas mãos dos designers amadores, pessoas que não possuem formação, nem base teórica ou técnica em comunicação visual, mas que sabem, de um jeito ou de outro, manusear as mesmas ferramentas digitais dos profissionais. Foi nossa ausência que criou um mercado que virou, durante muito tempo, presa fácil de pessoas despreparadas, que oferecem muitas vezes um resultado até esteticamente aceitável, mas não conseguem oferecer uma solução visual realmente relevante para melhoria da comunicação de um produto, empresa ou profissional autônomo.

Mas o mundo está mudando. E são mudanças bem-vindas.

Cada vez mais as pessoas estão buscando soluções próprias para suas diversas necessidades. Estamos na era do “faça você mesmo”. Um tempo em que uma pessoa pode, por exemplo, imprimir em 3D as peças de um instrumento musical e montá-lo sozinha em casa. Um mundo de tutoriais de tudo, sobre tudo. E, na minha opinião, isso é fantástico!

Na área editorial, por exemplo, vejo autores independentes se esforçando bastante para criar suas próprias capas de livros. O sujeito assiste a um tutorial aqui, outro ali e consegue montar sua capa. O resultado não é primoroso, mas ele consegue dar seu recado, com um mínimo de orientação.

Nesse novo cenário, surgiu uma indagação que martelava minha cabeça:

“E se esse sujeito tivesse o amparo de alguém que quisesse genuinamente ensinar o que ele realmente precisa saber para desenvolver peças visuais eficientes para seu negócio?”

Pensando bem, e sendo sincero, o design gráfico é bem menos complexo do que nós designers podemos (ou queremos) admitir. Conhecendo o processo básico que envolve Conceito, Composição, Elementos Gráficos, Tipografia e Cor é possível qualquer pessoa criar peças interessantes. E não podemos esquecer que estamos na era da internet, tempo de democratizar o conhecimento, ou seja, fazendo este conhecimento chegar a mais pessoas, coisas benéficas podem acontecer. Entre elas:

• As pessoas poderiam resolver seus problemas de comunicação visual em seu dia a dia, em seu negócio ou em sua profissão sozinhas. Não executariam peças dignas de ganhar prêmios de design (e isso nem é necessário), mas sim peças eficientes, objetivas, que atinjam seus objetivos de comunicação com clareza.

• Os profissionais que se relacionam com designers no seu dia a dia (jornalistas, editores, infoprodutores, redatores, profissionais de marketing, empresários etc.), também poderiam compreender melhor o processo de trabalho e debater com mais propriedade questões de projeto com seu designer.

• Os próprios designers amadores poderiam se beneficiar disso, podendo oferecer resultados mais embasados técnica e teoricamente. Resultados melhores do que conseguem atualmente.

Estudantes de design e designers iniciantes poderiam melhorar seu processo de trabalho e suprir deficiências na prática profissional deixadas por cursos de graduação deficientes, afinal, temos excelentes cursos de graduação em design gráfico, mas também temos cursos que não preparam bem o estudante para os desafios da vida profissional.

É isso o que eu desejo para minha carreira agora. Design Gráfico para todos!

O designer não mais como detentor e fiel protetor do conhecimento em comunicação visual, mas sim como um difusor desse conhecimento a quem precisar dele.

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